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Noites com Sol cancela Soatá

Produção anuncia que vai trazer a banda em outra oportunidade. Hoje tem show com Juca Culatra e Projeto Charmoso

Por Nicolau Amador Foto: Thiago Araújo / Conexão Vivo
Jonas Santos, paraense líder da Soatá

Infelizmente a banda Soatá não fará o show que estava programado para hoje dentro da programação do festival Noites com Sol, de cinema e música. A organização divulgou que por uma incompatibilidade com a agenda da banda. "Nós acabamos nos precipitando com a divulgação do show da banda. Pedimos desculpas ao público, mas vamos trazer a banda em outro momento", disse Claudio Figueredo, produtor do evento. 

 
Hoje a programação musical do Noites com Sol inclui Projeto Charmoso,  Leonardo Coelho de Souza e Ney Conceição e Juca Culatra e Cristal Reggae. Confira toda a programação no site do evento. Abaixo  republicamos, por considerar que não perdeu seu valor jornalístico, a entrevista com o músico paraense Jonas Santos, líder e principal compositor do grupo. A matéria original foi publicada na edição de sábado do jornal O Liberal. 
 
Eles vivem em uma conexão entre Brasília e Belém. O grupo foi, segundo seu idealizador e líder, Jonas Santos, uma evolução natural do grupo Epadú, formado em Belém nos anos 1990, quase ao mesmo tempo que Chico Sciense revolucionava a música brasileira com seu manguebeat. Jonas mudou para Brasília e deu continuidade à banda ao lado de músicos locais, entre eles, a experiente e talentosa cantora Ellen Oléria, o baterista Riti Santiago (que tocou com a banda Câmbio Negro e com grupos de thrash metal), o contrabaixista Dido Mariano e o percussionista Lieber Rodrigues.
 
Depois da apresentação no último Conexão Vivo em Belém, o som da banda vem ganhando cada vez mais notoriedade e parece conquistar espaço na nova música popular paraense, aquele que nenhuma banda de rock pareceu ocupar desde o fim de grupos como Mangabezo e Cravo Carbono. Um espaço onde a música de raiz transita pelos sons universais e pelo rock mais pesado, misturando carimbó e outros ritmos regionais a uma linguagem forte e universal.
 
O grupo se apresentaria nesta segunda-feira, 28, dentro do primeiro dia de programação do II Festival Noites com Sol, mostra que reúne cinema e música na Estação das Docas.
Confira a entrevista exclusiva com o guitarrista e compositor paraense Jonas Campos, o líder da Soatá.
 
Quantas vezes vocês já vieram a Belém? Já estão inteirados com a cena local?
 
A primeira vez foi em 2010, para o Bafafá Pró Música, promovido pela Pro Rock. Depois, nós participamos do Se Rasgum e do Conexão Vivo deste ano. Será a quarta vez em Belém, mas também já tocamos em Castanhal e em Marabá. Sobre estarmos inteirados com a cena local, vou te contar uma coisa engraçada: no último Conexão Vivo, eu, ingenuamente, disse que nós éramos uma banda local. E alguém me chamou a atenção de que podia parecer que nós estávamos querendo ocupar o espaço de alguém. Eu falei isso ingenuamente, porque sou de Belém, e o Soatá é a evolução natural do Epadú, que eu montei com o Cláudio Figueredo nos anos 1990. Mas de qualquer forma, me chamaram a atenção por isso. O Soatá é uma banda de Brasília, mas sempre vai ter essa ligação com a música do Norte, porque eu tenho esse trabalho de composição da banda e eu falo naturalmente das minhas raízes. Mas musicalmente a banda tem essa pegada universal que é coisa de Brasília, onde não há exatamente uma referência regional.
 
Como você vê essa nova cena musical de Belém, já que nos anos 1990, quando você saiu daqui, ela era basicamente centrada no rock?
 
Quando eu montei o Soatá, quis que a banda conhecesse o som do carimbó. E antes mesmo da gente tocar em Belém, fomos à cidade e eu apresentei uma roda de carimbó. Quando cheguei ai, essa cena estava completamente reformulada, mais centrada nas raízes da música paraense. Antes, era basicamente um rock alternativo, e essa mudança tem reverberado. Eu fui a um show da Gaby Amarantos e vi que ela não estava mais só no gueto das aparelhagens, era uma música que começava a invadir outros espaços, mobilizando massas e isso é muito bom. Agora nós estamos querendo de certa forma interagir com essa nova cena, conhecer melhor, afinal, são 14 anos desde que sai daí.
 
O trabalho do Soatá vai continuar centrado nas raízes paraenses ou vai seguir uma linha diferente?
 
O nosso primeiro disco sai em janeiro e vem com a pegada do que a gente chama de rockarimbó e do funkarimbó, que são as fusões com essas raízes. Esse disco já estava pronto, e logo depois a gente vai começar a produção do novo disco que vai ser a mesma linha. Enquanto eu fizer o trabalho de composição da banda, a tendência é essa, mas a Ellen já começa a contribuir nas composições com letras, então é difícil saber que rumo o trabalho vai seguir depois. Na música, o som já vem mais ou menos pronto com toda essa influência universal do povo de Brasília.
 
Como é a relação com o público de Belém?
 
Belém é a capital onde a gente é melhor recebido. Tem sempre uma expectativa grande em relação a gente tocar aí, o público é sempre muito receptivo. Vou contar mais uma coisa curiosa sobre essa questão da conexão Belém-Brasília: fomos tocar agora no Conexão Vivo em Salvador, e por um erro de informação colocaram no cartaz “Soatá (PA)” e nós não somos uma banda do Pará, mas isso também não descaracteriza nosso som. Acho que vou pedir para o pessoal colocar “Soatá (DF/PA)”. (risos).
 
Vocês vão tocar em um evento de cinema e música...
 
Pois é, inclusive há também uma mobilização de audiovisual em Belém, e o Cláudio Figueredo, que organiza o Noites com Sol, tem muito a ver com isso. Ele nos convidou para fazer o evento pela relação que tem com a gente também, desde o Epadú, em que ele atuou como vocalista. Tem músicas do Epadú no repertório do Soatá e nós também estamos articulando novas parcerias. O Cláudio também foi vocalista da Tribo. É um produtor atuante.
 
Para finalizar, como paraense de nascimento, como você percebe a repercussão sobre a divisão do Estado? Vai votar?
 
Não vou votar porque eu já transferi meu título para Brasília faz tempo. Mas acho importante ficar ligado nesse processo político. Infelizmente, eu não estou muito inteirado do processo, só posso dizer que quando vejo muita gente poderosa fazendo campanha pela separação, eu fico desconfiado. Quero saber o que o povo mais humilde vai ganhar com essa separação, e se culturalmente não vai haver uma perda. De modo geral, a união faz a força, a gente não cresce para dividir e criar cisões. De modo geral, a gente é mais forte unido.
 
Serviço:
II Festival Noites com Sol. Ingressos: R$ 20 (com meia para estudantes) à venda na loja Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, 449) e na Fox Vídeo (Tv. Dr. Moraes, 584 - Batista Campos). 
 
28 de novembro, 2011 - 06h48
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