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A nova voz do Brasil curte um carimbó

Entrevista inédita com Ellen Oléria, ganhadora do The Voice Brasil, que acompanha a produção da música paraense de perto

Por Redação Foto: Divulgação
Ellen tocando carimbó na Praça da República

A brasiliense Ellen Oléria conquistou o público na grande final do reality show The Voice Brasil, da Rede Globo,  e conseguiu atingir 39 % dos votos populares. Além do prêmio de R$ 500 mil, um contrato com a Universal Music, a nova voz do Brasil se apresentará na famosa festa de Reveillón em Copacabana, Rio de Janeiro.

Para chegar à grande final, Ellen Oléria venceu Ludmillah Anjos na primeira parte da final. A brasiliense cantou "Anunciação", de Alceu Valença, e foi escolhida pelo técnico Carlinhos Brown para ir à fase da disputa popular. Em sua segunda apresentação Ellen incendiou o palco com "Taj Mahal" e conquistou de vez o grande prêmio.

A vitoriosa voz do time de Carlinhos Brown disputou a preferência do público com três finalistas de peso: Maria Christina, de Lulu Santos; Ju Moraes, de Claudia Leitte; e a paraense Liah Soares, de Daniel. Liah era talvez a segunda voz mais querida e incensada pelo público durante o reality show. Ela conquistou a todos com sua releituras personalíssimas de clássicos da MPB.

Ao som de "Pra ser sincero", Liah Soares encantou a plateia para disputar um lugar na final com Danilo Dyba. O cantarinense também arrasou no palco com sucesso de Luan Santana, mas o sertanejo escolheu ficar com a paraense. "É um sonho. Alguém me belisca?", disse Liah, emocionada.

A  última vaga ficou entre Ludmillah Anjos e Ellen Oléria. A baiana arretada levantou a plateia com "O canto da cidade", mas após a impecável "Anunciação" de Ellen, Carlinhos Brown optou levar a brasiliense para a disputa contra Liah Soares, Maria Christina e Ju Moraes. "Ela é o meu estilo. Mas como estamos falando em voz, ela não é apenas uma voz. Ela é uma voz que cura. Vocês queriam uma voz que cura? Está aí: Ellen Oléria", diz Carlinhos Brown.

Ellen tem uma história de proximidade com a música paraense que é incontestável. Além de sua carreira solo ela canta com a banda Soatá, liderada pelo paraense Jonas Santos, que tem em sua base harmônica ritmos e melodias do carimbó paraense. A mãe de Ellen, que fez aniversário no dia da final do programa, inclusive fez um agradecimento especial ao "pessoal de Belém do Pará", ao falar na tv. 

Há dois meses, quando o programa televisivo estreou, Ellen estava em Belém gravando um documentário com a banda Soatá, que circulou por cinco municípios paraenses encontrando mestres do carimbó e artistas da cena musical de Belém. “Eu tenho conexões ancestrais nessa terra, apesar de não ter parentes paraenses, fiz desse povo minha gente desde 2005 quando cedendo aos encantos da cidade escolhi essa terra para amar, fazer música e experimentar essa gastronomia revolucionaria”, disse em entrevista exclusiva ao Pará Música, por ocasião da gravação do documentário “Amundiá”, de Douro Moura, que está finalizando e foi produzido com patrocínio do projeto Conexão Vivo, através da Lei Semear, da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.

Confira abaixo a íntegra da entrevista, inédita até agora.

Por escolheram Belém e o Pará para gravar esse documentário?

O Jonas [Santos, compositor e guitarrista paraense da Soatá] que é um dos vértices dessa produção sonora trouxe consigo para Brasília suas influências vindas de Belém. O som da Soatá nasce no coração desse poeta paraense. No mais, sem precisar de mais justificativas, no entanto, eu tenho conexões ancestrais nessa terra, apesar de não ter parentes paraenses, fiz desse povo minha gente desde 2005 quando cedendo aos encantos da cidade escolhi essa terra para amar, fazer música e experimentar essa gastronomia revolucionaria!  As conexões ancestrais vêm de uma convicção da ligação entre nossos desejos.

O que vocês, da Soatá, aprenderam nesses quatro anos de banda sobre o carimbó e a música regional paraense?

Eu diria pouco. Digo isso por mim, porque [o percussionista] Liéber  é um louco estudioso e nerd completo que, vejo, que vai bem fundo nessa força dos tambores paraenses! (risos) Brincadeiras a parte, cada vez que chego mais perto percebo que não sei nada! mesmo! Até pra nos aproximar dessas manifestações acho que precisamos mesmo ouvir e viver muito mais a cena. Ainda assim entendo que meu lugar será sempre de aprendiz quando o assunto é carimbó e musicas regionais paraenses.

Como se constrói uma  estrada entre Belém e Brasília, culturalmente falando?

Namorando! Isso com certeza (risos). Fazendo música é também é uma boa, viu?!

Fale um pouco sobre seu trabalho como artista antes e atualmente no Soatá ou em carreira solo...

Canto, componho e toco desde criança.  Comecei a fazer da música a minha profissão aos 16 anos, quando montei uma banda com meu irmão e irmã e dali a gente fazia um dim dim pra ajudar em casa. Sempre curti misturar coisas. Ouvia rap com meu mano e sambalanço com minha irmã. Herdei uma paixão pela poesia sertaneja com minha mãe e caras e bocas do meu pai, coisas que sempre estiveram comigo nos palcos.

Em carreira solo, fiz muitas coisas bacanas com gente querida e também com referências pra mim. Samba, rap, jazz, soul e afoxés sempre estiveram nas misturas. A banda Pret.utu anda comigo no trampo solo desde 2005, tocando minhas músicas. Nesse ano foi também que conheci Belém e nunca mais larguei! Apaixonada pela terra e pelas gentes. Achei lindo o povo da Soatá me chamar pro projeto que ainda não tinha nome mas já tinha a pegada!

A Soatá chegou e me aproximou de outra onda estética sem que eu precisasse abandonar minhas marcas de estrada, mas aproveitá-las. Toco cavaco na Soatá, coisa que só faço na Soatá mesmo. Adoro a parada rock pesado também,  diferente de tudo que já fiz!

A Soatá é uma banda louca porque me leva pra espaços surpreendentes além da minha imaginação. Curto muito esse laboratório. 

17 de dezembro, 2012 - 08h03
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