Pará Musical
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Músicos Empreendedores  

Uma vida dedicada à música

Violonista e empresário, Moizés Freire é conhecido em Belém por atender instrumentistas de todos os gêneros

Por Elielton Nicolau Amador
 
Moizés deu um tempo na arrumação da loja para falar com o Pará Música

 

Vida de músico dedicado não é facil. Que o diga Moisés Freire Soares, 48.  Ele tem uma história de superação. Músico autodidata que escolheu estudar para poder ser reconhecido no meio musical, ele também é um empreendedor como poucos. Recentemente, largou um emprego de 17 anos para abrir seu próprio negócio, a ProMusic, uma loja de instrumentos, áudio e acessórios que, mesmo com poucas semanas de funcionamento (inaugurou no dia 7 de maio), já vem conquistando o carinho dos músicos de Belém e do interior. Eles vêm especialmente para conhecer a nova loja. Nesta entrevista franca e esclarecedora, ele conta a sua trajetória de músico e empreendedor. Uma história emocionante, que poucos teriam a coragem de contar com tamanha franqueza. Afinal, muitos músicos só querem contar histórias de glamour e brilho. Mas coragem é talvez a principal virtude que faz de Moizés Freire um vencedor. Ele conta como Edilson Moreno o ajudou a tomar coragem para tocar na noite e como uma doença o fez dar uma guinada em sua vida.

Quando começaste a tocar?

Eu comecei tocar de verdade, na noite de Belém, em 1994. Mas eu já tocava. Sempre fui estudioso do violão, autodidata né? Mas naquele ano eu trabalhava nas lojas de departamento Pernambucanas, quando comecei. Eu tenho um amigo, que hoje é meu cunhado, e naquela época, Brasil campeão em julho, fomos para Mosqueiro.  

Mais esse foi o teu primeiro contato com o violão?

Não isso foi quando comecei a tocar na noite. Eu já tocava, já gravava algumas coisas, comecei tocando na igreja. Meu primeiro contato com o violão foi quando comecei a aprender com um rapaz na Marambaia. Ele ensinava para mim e para um amigo meu. Manassés era o nome desse meu amigo. Eu ficava só olhando a aula do Manassés. Ele demorava mais para pegar, mas quando eu ia fazer, eu fazia de primeira. E o nosso professor achava graça, só dizia “Pô, Moisés, isso vai longe!”

Com que idade isso?

Eu deveria estar com uns 17 para 18 anos. Não comecei tão cedo, não. Comecei, na verdade, tocando percussão, também numa Copa do Mundo (de Futebol) acho que era 1986, quando o Brasil perdeu para a França. Tinha um sargento reformado perto de casa, na Marambaia, que ele pegava a molecada e colocava para tocar. Comecei batucar, nunca tinha tocado ainda instrumento de percussão nenhum, bati direitinho e ele mandou me chamar em casa para gravar, que ele grava tudo o que ele fazia. Aí, de lá comecei a tocar. Tinha rabeca, tinha cavaquinho, tinha tudo. Saudoso sargento Santarém.

Na casa tinha músico na família?

Tem, tem meus tios do interior.

Então, essa afinidade já vinha de família?

Família Soares. Papai e quase todos meus tios tocaram em igreja. Papai fala que na época dele as festas do interior eram regadas a música acústica, pois não tinha energia. Inclusive teve um tio do meu pai que era luthier, ele morreu ali no bairro do Guamá. Ele fazia aquelas cravelhas, não tinha essas tarraxas novas ainda. Nessa época eu nem pensava em atuar com músico profissional.

Mas frequentava o atelier dele?

Eu ia mais sem pretensão nenhuma.

Mas tu conhecias o instrumento?

Já me atraia o violão. Mas foi com esse rapaz que me ensinava, o Davi Silva, que comecei a pegar gosto mesmo. Ele ia tocar guitarra eu ficava encantado. Começava a fazer ritmo sem saber nenhum acorde. Aí, passou um tempo eu me dediquei, comecei a estudar, estudar harmonia, harmonia funcional, os famosos Almir Chediaks da vida. Aí, comecei a tocar em igreja e desenvolvi a guitarra. Mas eu sempre gostei de violão, nunca gostei de usar palheta. Cheguei a tocar num grupo que era da Fundação Carlos Gomes, que era o Câmera Cinco. Eu tocava guitarra, mas tocava com a unha mesmo. Levava palheta, a galera pedia, eu jogava a palheta. Era eu, Afonso Silva, Mariano Alves, Mauro Barreto e o Tiquinho, o Moisés Alves.

Isso antes de entrares no Conservatório?

Antes do conservatório, muito antes. Molecão mesmo: 21, 22 anos.

E tocavas o quê? Gostava de que tipo de música?

Ah, sempre fui garoto de periferia, mas que gostava de música sofisticada. Sempre escutei música instrumental e tinha prazer em tocar Sadao Watanabe, Chick Correa, Hermeto Pascoal, Didier Lockwood. Que era a formação da nossa banda Câmera Cinco, o solista era um violinista, o Afonso, que hoje mora no Paraná.

Depois do Câmera Cinco tocou em qual grupo?

Eu sou um dos fundadores da banda Fênnix, que é uma banda de eventos que toca com músicos profissionais. Tem o Mariano, que é formado em percussão erudita e que é o atual baterista do Amazônia Jazz Band. É um grande baterista. Tem quatro métodos escritos por lançar. Ele é o mentor desses moleques todinhos, aí, que tão tocando. Thiago Belém foi aluno dele, Kaká, Mário, essa molecada que toca com propriedade, que escreve, que lê, tudo passou pela mão do Mariano. Escreve esse nome: Mariano Alves Primo, professor do Carlos Gomes, professor da MT.

E com a Fênnix tocas ainda hoje?

A gente toca ainda, faz uns eventos fechados. Tocamos recentemente no Grêmio Português. Agora que a loja tomou um pouco mais de tempo. Mas até março a gente tocou direto.

Agora conta aquela primeira história: em 1994 quando tu começaste na noite.

Em 1994 foi assim. Era Copa do Mundo quando eu comecei a tocar. Eu sempre fui muito autocrítico. Era uma segunda-feira de julho e eu nunca tinha faltado trabalho nas Pernambucanas. Só que como o Brasil foi campeão, nós fomos, e meu futuro cunhado, para Mosqueiro comemorar. Lá, eu encontro o Edilson Moreno na praia do Farol, no bar do Haroldo. E o Haroldo disse “Porra, Edilson bora tocar, toca um violão aqui”. E o Edilson disse que ia procurar o violonista dele. Aí, eu cheguei lá todo moleque, querendo entrar no cenário. Cheguei falando “Edilson, sei muitas músicas, se tu quiseres eu te acompanho.”

Eu tinha conseguido meu primeiro Fiber, da Gianinni, de aço. Quase um palmo de altura de corda (risos). Eu já era fã do Edilson Moreno porque na época ele não cantava brega. Ele era um dos melhores crooners de banda lá no Chopp House. Cantava muito Djavan. Tempo bom de casa noturna em Belém. Eu não entrava que eu era moleque e nem tinha grana para pagar. Ficava lá fora. Rolava a banda Cabra Laranja, era muito bacana.

Era uma época boa...

O Edilson Moreno disse “Vou atrás do meu violeiro. Se eu não achar, tu faz comigo”. E eu torcendo para ele não encontrar o violonista dele. Ele não achou e voltou. “Bora lá, moleque, bora ver o que é que sai”, ele disse. Aí, começou a parar carro lá na frente do bar. Socamos a casa do Haroldo lá no Farol e foi show! E era a galera trazendo cerveja para nós. Eu era moleque, a gente já estava ficando bêbado e o cara faturando em cima da gente. O Edilson, mais experiente, falou “não, olha, a partir de agora vai ser trabalho, lotamos tua casa”. E ficou redondinho. Parecia que a gente já tinha tocado juntos, mas era a primeira vez.

Exímio violonista, Moizés estudou no Conservatório Carlos Gomes e tocou em várias bandas

E foi isso que te motivou?

Foi. Quando chegamos em Belém, eu fui no Olê Olá e falei na época com o Edvaldo, que era o gerente. O Olê Olá era um desses bares que dá saudade de ter em Belém – ficava lá na Marambaia onde hoje é a Yamada. Não tem mais bar naquele naipe em Belém, onde se toca com a bandona completa.

Então, fui tocar lá com o Aguinaldo Barrah, que hoje está morando em Israel. O Aguinaldo tem uma voz muito bonita e como eu tacava já direitinho as músicas dele eu achei que, depois do advento de ter tocado com o Edilson Moreno, dava para encarar. E fui tocar no Olê Olá, no Copa 70 e em mais um barzinho lá na Conselheiro Furtado, que era uma pizzaria chamada Aki Tudo, que é perto da casa do Alan Carvalho. O Alan Carvalho ia lá me assistir, o Chiquinho, amigo meu lá de Abaeté, também. Cheguei lá e fiz um teste na terça. Na quarta, ele ligou dizendo que o pessoal todo tinha gostado. Na época, eu passei a ganhar o dobro tocando do que ganhava nas Pernambucanas. Eu estava naquela empolgação de querer tocar toda noite. Tocamos muito, eu e o Aguinaldo. O cara tinha uma voz, tem até hoje, uma voz muito bonita que lembra até o Emílio Santiago.

E continuou tocando na noite?

Sim, nessa época eu também ingressei no Câmera Cinco, e passamos a tocar num pub que era do Romulo Maiorana, ali perto do Horto Municipal, O Cristal. Era um clube de elite. Na época que havia aqueles CD’s do tamanho de um vinil, na verdade era um DVD de vinil, o chamado vídeo laser. Só entrava lá quem tinha um cartão magnético, na época isso aí era muita sofisticação. Só tocava jazz e música instrumental. Acompanhei vários cantores, muita gente mesmo. Mas tenho coisas gravadas, tenho músicas autorais também. Sempre na música instrumental, sou um dos pioneiros na área de música instrumental em Belém.

E o conservatório como é que foi?

No conservatório eu entrei para estudar.  Vi necessidade. Comecei a tocar com o pessoal mais velho. O pessoal dizia “aquele moleque toca violão, mas ele é guitarrista”. Isso mexeu comigo. Eu disse “não, eu começar estudar violão direitinho”. Botar os dedos no lugar. Antes do conservatório, estudei com um professor que estava de bobeira aqui em Belém, que eu vi uma plaquinha dele. Ele morava naquelas casas velhas ali no Centro, quase caindo aos pedaços. Aí, eu vi “Ensina-se teoria musical”. Era o Orisvaldo Sousa, da Bahia, cara muito bom mas que vivia largado. Ele se vestia igual um hippie. Eu sempre tive também o hábito de querer ajudar as pessoas, mesmo não tendo quase nada. E vi que o cara tinha potencial, sim. Estudei teoria com ele, comecei tocando “Romance de amor”, aquelas musiquinhas mais fáceis, partitura fácil. Depois estudei teoria musical no conservatório adventista, no tempo do Jean Magno, que me falava “olha, quem tem com que me pagar não me deve nada”. Estudei de graça, fui bolsista lá.

Depois, fui para o conservatório e estudei com vários professores como Careca Braga, Handerson de Deus e Aluísio Laurindo Jr. Estudei o método húngaro de musicalização integral, ensinou-me a escrever em quatro vozes, e aprendi muitas outras coisas. Conclui o curso técnico. Foi quando eu comecei a ingressar nesse ramo empresarial. Decidi não fazer bacharelado, nem especialização em música. Eu decidi entrar na área da administração e me formei em marketing. E graças a Deus, estou colhendo os frutos agora, de um trabalho mais árduo nessa parte da administração empresarial.

 

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E como foi que você entrou nesse ramo empresarial?

Eu comecei trabalhando numa franquia internacional, a JVC. Na época, o dólar era R$ 0,86, e era uma época boa porque a gente tinha acesso à tecnologia de ponta e a gente ganhava bem. Mas quando o dólar bateu R$ 4,01, a representação quebrou e para eles não foi mais negócio estar aqui em Belém. Aí, eu saí e fiquei uma época desempregado, esperando uma promessa de outra empresa, de outro segmento, de roupas do Nordeste. Eles me ofereceram uma gerencia em Manaus. Fiquei esperando, esperando e não rolou. Quando eu vi que não ia rolar e que o cara era mentiroso, fiquei desesperado. O dinheiro acabando, eu comecei a tocar pagode para não ficar sem dinheiro. Na época do Teleclube, tive o privilégio de abrir shows de Bezerra da Silva, Neguinho da Beija-Flor e outros. Era o grupo Trama do Samba. Ainda existe, mas não tem mais ninguém daquela época.

E como foi para sair dessa situação?

Uma vez eu vi um comercial na TV. Tinha um programa na televisão, o TV Shop. Um formato em que o cara anuncia tudo muito rápido e eu vi ele anunciar uma caixa amplificada, uma PR-500. Todo músico que se presa já tocou em uma PR-500.  Nessa época, eu não saía de casa, eu estava deprimido. Não sabia o que era depressão, mas eu não sentia vontade de sair de casa. Foi um vizinho que me incentivou, eu tinha vários certificados de cursos técnicos de vendas etc. Aí, levei meu currículo lá naquela empresa. No outro dia me chamaram.  Com 24 dias eu passei a gerente dessa empresa. Foi um chute no balde. Comprei o meu primeiro carrinho. Eu trabalhei dois anos nessa primeira empresa. Tive alguns probleminhas aqui e ali, pois não estava suprindo a minha necessidade financeira. Então, eu decidi mudar para o segmento bancário e ia passar a trabalhar na sucursal de um grande banco. Montei uma empresa para vender papel dentro do banco. Mas não cheguei a iniciar o negócio. Antes, eu tinha um amigo representante de distribuidoras que me apresentou a marca de violões Godin. Ninguém tocava em Godin em Belém na época. Ele dizia “Não compra isso daí que ninguém vai comprar, é muito caro.” Eu disse “não, tem quem compre, sim”. E comprei para a loja que eu trabalhava na época, a Audio. Então, esse meu amigo, sabendo que eu ia deixar o ramo, me apresentou para a Keuffer, disse que tinha um profissional de excelente qualidade que estava saindo do segmento e ele disse que eu não poderia deixar o segmento. Então, eles me seguraram lá.

Era uma loja de fotografia que, por acaso, vendia instrumentos musicais. Era tudo por fax, naquela época, não tinha e-mail ainda. E eu pedia permissão para cadastrar grandes fornecedores nacionais de produtos que até então não existiam em Belém. E assim a gente foi alargando o nosso portfólio. No final, a empresa acabou com o segmento de fotografia e passou a trabalhar só com áudio e instrumentos, tornando-se uma das maiores do Brasil, graças a esse trabalho que fizemos lá por 17 anos.

Eu costumava frequentar a Keuffer quando era só aquela lojinha lá na Manuel Barata, e eu encontrava muitos músicos lá, até o Chimbinha eu encontrava lá comprando acessórios e peças...

É verdade. Essas lojas não gostam de vender produtos como um parafuso da guitarra. Eles querem vender produtos mais pesados. Mas, muitas vezes, é esse parafusinho que leva o teu cliente na loja e que faz a diferença. Porque o cliente se sente amparado. Ele sente que você se importa com ele. E esse é um dos diferenciais da nossa loja. A gente vai se importar, a gente vai mandar buscar. A gente só não vai atender as necessidades da nossa categoria se não tiver mesmo no nosso importador. Mas, senão, a gente vai brigar, vai mandar via aérea, Sedex, o que for. Que nossa função aqui é suprir as necessidades dos nossos clientes.

E como tu envolveste essa grande rede de músicos que hoje tu conheces e está contigo aqui, presente no lançamento da loja nova?

Eu sempre gostei de marketing. Mesmo antes de fazer o curso, acho que a gente já fazia meio intuitivamente. E eu sempre achei bonito. Como a gente participava desde 2002 de feiras internacionais de música. E eventos paralelos, como o Tagima Dream Team, que participamos de todas as edições, a exceção do ano passado. A gente não fez só um contato, a gente fez amizade com essas pessoas. De tal maneira que às vezes toca o meu celular no domingo e é um guitarrista de uma das grandes emissoras de televisão do Brasil que diz “olha, tem um amigo meu que vai fazer show aí, tu queres ir? Eu tenho ingressos para você!”. E eles gostam. Eles veem o brilho no olho quando é um músico que está fazendo a coisa para outro músico. É diferente de um patrão que não vive o negócio. Às vezes, o patrão olha até como despeja. Mas é o marketing de relacionamento. O cliente se vê no negócio quando se criam laços. A maioria dos meus clientes são amigos de frequentar a casa. A gente vende credibilidade. O primeiro passo é se colocar no lugar do cliente. Ter empatia. Se o produto não está bom, não vende. Chama o teu fornecedor e pede para trocar. Não engane ninguém. Esse é nosso lema e vai continuar sempre. Vamos prestar serviço para a categoria de uma forma mais democrática.

 

E como foi a decisão de largar o emprego de tantos anos e partir para um negócio próprio? Como foi ter essa coragem?

Teve três anos que fui para o estaleiro. Em 17 anos de empresa eu nunca tive férias. Mas fui obrigado a me afastar nesses períodos por problemas de saúde. Em dezembro passado eu fiquei internado com uma dengue hemorrágica. Essa doença dá uma infecção no sangue e diminui as plaquetas. Foi caindo de forma drástica que eu não via meu corpo reagir. Nunca tinha ficado tanto tempo no hospital. E por questões profissionais eu não divulguei isso nas redes sociais, até para as pessoas não deixarem de ir na empresa que eu trabalhava. Só divulguei quando eu já estava saindo. E eu naquela situação com minha esposa dormindo no hospital comigo e meus filhos sozinhos em casa, sem poder reagir. E os médicos não falam o diagnóstico certo. Quando eu saí eu imaginei o que eu ia deixar para a minha família. Isso foi determinante na minha decisão de iniciar um novo empreendimento. Dá muito trabalho, alguns veem empresa nova e não dão credibilidade porque está cheio de aventureiro por aí. Mas estamos na luta com a nossa história e nossa capacidade de prestar serviços aos nossos clientes. Não é nem o melhor momento por causa da crise e tal, mas eu acredito muito na cognição. Quando você conhece. Meu maior patrimônio é minha carteira de clientes e amigos que eu pude atender ao logo desses anos. Que estão me esperando e que nós não vamos decepcioná-los de forma alguma. Estamos aqui já prontos para recebê-los.

 

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24 de maio, 2016 - 11h28
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Comentários (27):

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Natalina Batista

Parabéns Moizés por uma bela história e por seu sucesso, você é um campeão e de muita garra e superação. QUE SUA LUZ NUNCA DEIXE DE BRILHAR...


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