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A epopéia do pop rock paraense

Grupo saiu de Castanhal com um disco caseiro e rodou o Brasil com seu som

Por Gil Sóter Foto: Ana Flor
 
Suzana Flag como um trio. Foto de Ana Flor           A incrível trajetória da banda Suzana Flag começou entre 2002 e 2003, quando lançou de maneira totalmente independente o seu primeiro disco artesanal, “Fanzine”. O nome representava bem o projeto caseiro, em que gravaram camadas sonoras sobre dois cartuchos de MD, na mais rústica técnica de ping pong, usando os dois aparelhos como se fosse um multitrack rústico. Totalmente lo-fi,o disco foi gravado nos fundos da casa do guitarrista Joel Melo, em Castanhal, usando um teclado Casio como bateria. Ele, Elder Fernandes (hoje Elder Effe) e Susanne Meyre demoraram nove meses para parir o projeto que trouxe a luz hits inesquecíveis como “Contraposto”, “Ludo” e “Nem mais um segundo”, entre tantos outros que tocaram nas rádios.

            Gravado em CDRs e repassado de mão em mão para os amigos, Fanzine foi espalhando o som da banda e somou mais de 3 mil cópias distribuídas. Até que caiu na web e se multiplicou em downloads em sites como o Trama Virtual. Muito antes do download remunerado, b-sides como “Boas Novas” ficaram mais de sete semanas entre as cinco mais baixadas.

A sonoridade desse primeiro registro da banda de Castanhal (PA) cativou pela simplicidade e pela qualidade. Uma linguagem pop inteligente, com letras e melodias de beleza até então nunca vistas no rock paraense, influenciadas por bandas indies como Pixies e Tennage Fanclub. Foi uma pequena revolução sonora em Belém, capital que se anunciava há anos como celeiro de bons artistas musicais.

            A banda virou referência no circuito alternativo paraense. Quase todas as músicas tocaram em emissoras de rádios públicas locais e nacionais. Novas tiragens foram providenciadas, e a legião de fãs crescendo a cada show, sendo esse sucesso repercutido em prêmios como o do site carioca London Burning, de Revelação em 2004, participação em diversos festivais no país afora, como o pernambucano Abril Pro Rock (2005), e no tributo ao cantor Odair José lançado (2006) junto com Pato Fu, Paulo Miklos e Zeca Baleiro, entre outros. O grupo também apareceu no Jornal da MTV apresenta Bandas Novas e recebeu referências elogiosas da revista Bizz.

Fanzine, o disco que revelou

            O reconhecimento de crítica e público veio pavimentando o caminho da banda desde então. Mas ao final de 2006, depois de uma crise existencial agravada pela perda de patrocínio de uma rede de telefonia regional envolvendo interesses políticos, Elder Fernandes saiu da banda e montou o grupo Ataque Fantasma. O disco novo, “Souvenir”, estava quase pronto, mas Joel Melo se viu na difícil condição de ter que eliminar metade do disco, de composições e vocais de Elder. O parto dessa vez foi mais longo, demorou quatro anos para o disco sair, com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, num processo burocrático longo e desgastante. Fixando a formação como um trio, tendo João Ricardo Ramones na bateria, “Souvenir” saiu em 2010, com produção impecável de Joel Melo e Elielton Nicolau Amador, jornalista e produtor que acompanhava a banda desde 2004 e saiu um pouco antes de Elder.

            “Souvenir” foi mixado no estúdio Toca do Bandido (RJ) por Iuri Freiberguer. Algumas canções como “3D”, “Híbrido” e “Postal” já eram conhecidas do público, mas ganharam novas roupagens. Outras, como “Santa Fé”, “Dual” e “Soft” eram inéditas e mostravam uma fase de amargura terna e grande sensibilidade do compositor Joel Melo. Apesar da qualidade do trabalho, a repercussão do disco foi pequena. O lançamento marcou mais uma ruptura, Nicolau, que chegou a tocar com o grupo nessa nova formação, novamente deixou a banda. Depois de morar em Belém por cinco anos, em 2011 o grupo voltou para Castanhal, onde faz gigs nos finais de semana e prepara novos trabalhos em parcerias com colegas do meio como Eliezzer Andrade (Johny Rockstar) e Kleber Martins (Telesonic). A história continua.

 

Na rede: 

www.suzanaflag.com.br

Formação:

Susanne Melo – Voz

Joel Melo – Guitarras e programações digitais

João Ricardo – Bateria e backing vocals

 

02 de novembro, 2011 - 15h52
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Comentários (2):

Valeria Brito

Lembro a primeira vez em que vi a banda tocar, foi em 2004, no festival Memorial do Rock. Ainda não conhecia muito bem o cenário local e confesso que sentia um certo preconceito, no entanto fui ao festival justamente com a intenção de conhecer o que as bandas de Rock produziam por aqui. Resultado fiquei encantada com a Gama de artista e produções feitas idependente, mesmo com dificuldades a qualidade musical era visível. Passei a valorizar muito mais o que é produzido aqui no estado. E tornei-me uma grande admiradora do trabalho da banda Suzana Flag.

Fabricio

Banda incrível, com mauridade sonora acima da média, muito além do que se tem visto na cena nacional. Enfim Vida inteligente no rock Alternativo! Rock Nacional feito no Pará com um gsotinho de "tucupi"


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