Pará Musical
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O feitiço de Dona Onete

Disco produzido por Marco André sai pelo selo Na Music com patrocínio do Conexão Vivo

Por Elielton Amador

Acaba de sair um dos discos mais esperados do ano na música paraense, “Feito Caboclo”, de Dona Onete, que sai pelo selo Na Music, com patrocínio do projeto Conexão Vivo, através da Lei Semear, da Fundação Tancredo Neves, e com apoio da Rádio Cultura FM.

Dona Onete tem uma sensualidade latente, mas que, por se tratar de uma senhora septuagenária, ganha contornos quase infantis, onde toda malícia ganha minimamente ares de inocência. É assim com “Poder da sedução”, um  bolerão que abre o disco com a ginga e a malícia do narrador ser um eu masculino, seguindo a linha contrária às das músicas publicadas em outros discos até agora.

“Balanço Crioulo” é um merengue agitado, feito para dançar embalado. Depois vem a já clássica “Jaburana”, que junta de forma muito criativa as sensações da culinária paraense com o gozo iminente das relações com as “caboclas fogosas” da terra paraense. Assim como o jambu, elas fazem tremer de prazer exótico.

“Ai, moreno, ora, deixa eu sugar da tua boca o gostoso veneno”. Em “Moreno morenado”, Onete mostra seu lado mais “assanhado”, um verdadeiro piropo de uma mulher para um homem. Nada mais contemporâneo, além do próprio ritmo latino, tão em voga na vertente mais evidente da nova música popular do Pará.

Mestre Vieira, Pio Lobato, Manoel Cordeiro e Marco André abrilhantam a música “Boi Guitarreiro” tocando solos a cada chamada da própria Onete. Uma das mais originais do disco, misturando o boi-bumbá ao estilo inventado por Vieira de Barcarena.

Marco André já disse em entrevista exclusiva aqui no Pará Música que Dona Onete é a “Dona Ivone Lara do Pará”, comparando-a à primeira dama do samba carioca, uma senhora de grande tradição na música popular brasileira que teve sua maior produção evidenciada e produzida depois de seus sessenta  anos de idade.

“Rio de Lagrimas”, parceria com MG Calibre, é uma samba “carioca” com letra curta, cantada primeiramente à capela e depois arranjada com pandeiro e cavaco, que, antes da terceira repetição, tem um interlúdio de guitarrada. Traços da criatividade do produtor Marco André, que gravou o disco com Assis Figueredo e Ulysses Moreira no APCE Estúdio em Belém, e mixou no Mola Stúdio, no Rio de Janeiro, com Alexandre Moreira, do Bossa Cuca Nova. Calibre entra no final rimando um rap.

O disco também traz o ritmo cuja criação é atribuída a Onete: o Carimbó Chamegado. A faixa homônima é caracterizada por uma batida mais suave e suingada do carimbó. Em “Feitiço Caboclo”, Dona Onete resgata uma mandiga tradicional do ver-o-peso, o chá de tamaquaré – o pó de uma lagarto da Amazônia que é usado para “amansar” o parceiro.

Professora do Ensino Médio e Fundamental, Onete percorreu escolas públicas pelo interior do Pará ensinando cultura popular, o que certamente lhe deu um grande repertório de causos e mitos das tradições negras e indígenas. Daí talvez venha “Homenagem aos Orixás”, onde os ritmos afro se misturam ao clima caliente predominate no disco.

“Lua namoradeira” retoma mais uma vez a verve caribenha, enquanto “Louco desejo” fecha o disco com a pegada bolero apaixonado em que a cantora é quem decide a iniciativa. Essas duas últimas trazem o coro luxuoso de Luê Soares, Lia Sophi, Gaby Amarantos e Keila Gentil (Gang do Eletro).  Dona Onete é, sem dúvida, uma apaixonada. E sua interpretação marcante com sua voz maturada lhe conferem características únicas na musicalidade do Pará.

Além da ótima produção musical e de bons arranjos, o disco ainda vem embalado em uma charmosa capa/encarte de papel reciclado, com projeto gráfico também sofisticado de Natali Ikikame e Márcio Alvarenga. Por enquanto só a venda em Belém nas Lojas Ná Figueredo (Gentil Bittencourt, 449 e Estação das Docas) e Fox Video (Dr. Moraes, entre Conselheiro Furtado e Rua dos Mundurucus). 

 

Ouça uma faixa com exclusividade:

 

20 de julho, 2012 - 03h35
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Comentários (3):

Roberto Lima

Sou amante dessa brejeirisse moderna e clássica paraense de cantar, produzir e tocar. Parabéns, Marco André.

Marco André

Que beleza de resenha. Obrigado pelos elogios ao trabalho. Mas, a culpa é de Dona Onete ser uma grande artista. E viva a música brasileira feita no Pará.

Leandro Savonarola

Simplesmente sensacional este CD. Que honra poder contar com uma figura tão singular e carismatica como a professora Ionete, ou melhor Dona Onete

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