Pará Musical
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Antes da Chuva  

O casamento do groove com a melodia

Proexf e Nanna Reis estão em estúdio preparando o primeiro disco do Projeto Charmoso

Por Elielton Amador Fotos: Ana Flor
 
Projeto Charmoso em estúdio para o primeiro CDFoi pela internet a primeira parceria entre o DJ ProEfx e a cantora Nanna Reis. Ela recebeu, através do radialista Fabrício Rocha, uma base eletrônica dele. “Avisa o dono que eu vou compor uma letra e uma melodia em cima”, mandou avisar. E assim surgiu “Charmoso” o primeiro single da dupla, lançado em junho de 2010 na rede. Em pouco tempo a música teve mais de 2.500 downloads.

A voz potente e sensível de Nanna, aliada a sua facilidade de criar melodias e letras de assimilação quase instantânea, parece um grande trunfo para a dupla, um dos muitos projetos que ela conduz paralelamente, assim como Proefx, que produz bases e samples para artistas paraenses e brasileiros de todos os estados.

Depois de uma conversa extensa com cada um dos dois separadamente pelo MSN e Facebook na madrugada anterior a uma quarta-feira, 31 de agosto de 2011, fui conferir as  gravações complementares do primeiro EP, que, além do primeiro hit, “Charmoso”, traz mais seis músicas da parceria bem sucedida. (De lá para cá, o EP já virou um álbum cheio).

O estúdio é do Coletivo Casarão Floresta Sonora, localizado na Rua 13 de Maio, Centro Comercial de Belém. São 16h30 e o trânsito é complicado nas estreitas ruas do Centro. Enquanto as pessoas se movimentam com pressa na rua, dentro do Casarão o ritmo é outro. Proefx espera os instrumentistas que vão gravar os metais. Nanna ainda não chegou.

Os músicos estão atrasados. “Eles estão vindo a pé lá do Conservatório Carlos Gomes”, explica ProEfx ao consultá-los pelo celular. Leo Chermont, o host da casa, apresenta o estúdio. Grandes pilares de madeira maciça e um piso de tábuas sustentam a lage de concreto e isopor pré-moldado sem descaracterizar o ar de casa velha que o antigo cartório de registros da família deixou. Adaptado, o Casarão é só uma portinha na rua, mas dentro abriga um estúdio de gravação, um estúdio de ensaio, escritório, sala de estar e alguns quartos no terceiro piso. Ali dormem e trabalham além de Chermont, Juca Culatra, MG Calibre, Michel Jackson, o fotógrafo Renato Reis e mais uma série de artistas que varia de acordo com o vento e o groove.

A pedido de Proefx, Chermont, que trabalha na penumbra dentro do estúdio, põem uma das faixas inéditas para escutarmos. “Love” parece ser o próximo hit da dupla com mais uma letra de grande sensibilidade romântica de Nanna e vocalizes inspiradas. A base é um zouk eletrônico sobre a qual ela canta: “O amor é flor que nasceu no coração / de quem sonhou  / e se firmou numa canção / O amor é flor pra iluminar o ar /  do mundo / vem cantar pra iluminar a flor do amor”.

Nanna tem a voz rouca e potente, talhada em anos de aula de canto popular e lírico entre o Conservatório Carlos Gomes e a Escola de Música da Universidade Federal do Pará. É capaz de gravar a canção em um único take.  Se quisesse podia soar como uma Gaby Amarantos, por seus graves, mas ela ainda preserva a suavidade, o jeito de menina. Sempre tem uma risadinha descontraída no final de cada faixa.

Raphael Braga (trombonoe) chega e começa a copiar o arranjo de metais que Edvaldo Pinheiro “Xaréu”, (trompete) fez junto com Proefx. “Tem uma estante ai, Leo?”, pergunta um deles e tem uma resposta negativa. “Imagina, aqui ninguém sabe ler partitura”, explica o produtor e técnico de audio do Casarão. Leo está tocando com Lu Guedes e é o único músico do grupo que não sabe ler partitura. “Imagina: eu, Adelbert Carneiro e Jacinto Kawage tocando arranjos do [Luiz] Pardal! Só fera e só eu não sei ler”, explica Leo. A experiência parece descrever o impacto da recente junção entre uma geração de músicos mais espontâneos e a tradição de músicos renomados.

Nanna Reis solta a voz em seu novo projeto

Audição - A primeira música a ser gravada é “La Pimenteira”. Na tela do computador, além dos waveforms com as vozes de Nanna tem apenas uma trilha com toda a base pré-gravada de Proefx. A base vem do fruit loops. “Tem gente que tem preconceito com o Fruit. Mas ele evoluiu e eu só trabalho com ele, não deve nada a nenhum outro programa de edição de beats e efeitos. O reason surgiu logo depois mas veio mais para complicar do que para ajudar”, afirma.

Amadeu, nome de batismo do DJ Proefx, começou tocando bateria aos 15 anos com uma banda de hardcore chamada Anomalia, nome comum na cena rock de Belém dos anos 1990. Mas ele já cultivava o gosto pelo rap, reggae e música eletrônica. No final daquela década ajudou a formar o Dubcore Attacak, que juntava todas essas influências num único grupo. “Acho que foi em 1999 que eu vi pela primeira vez um audio aberto no PC. Fiquei encantado por aquilo. Quando descobri que podia fazer música sozinho, eu larguei tudo e comecei a pesquisar.”

Os músicos gravam as partes. Apenas trompete e trombone. O saxofonista está ainda mais atrasado. Ele vai gravar depois ou em outro dia. Acostumados a tocar nas orquestras e grupos de câmara, eles sempre tem um pouco mais de dificuldade para gravar música popular, pegar o groove do soul ou da música latina. De parte em parte, porém, com ajuda dos dois produtores, eles vão vencendo cada etapa da música, uma a uma. Cada sequência de notas é trabalhada separadamente.

Nanna chega. Ou melhor, Naemi. Filha do cantor e compositor Alfredo Reis, ela começou a cantar aos oito anos de idade. Aos 15 anos ela participou do primeiro festival. Viajou com o maestro Tynnoco Costa. “Foi no Festival da Canção de Itacoatiara (AM) em 2007. Uma viagem muito doida. Nunca tinha viajado de avião. Nunca tinha cantado pra tanta gente. Nunca tinha andado de lancha, nem de jet ski. Nunca tinha ido num bar flutuante. Nunca tinha tido contato com tanta gente de fora, e diferente. Nunca tinha tido um ‘intensivão’ de experiências tão grande,  e de aprendizado também. O Tynnoko tava na onda desde essa época. No ônibus, no avião, indo e vindo, me dava milhões de orientações, dicas, aulas mesmo de teoria, de harmonia. Eu me tremia inteira dos pés ao cabelo. Chorei depois da minha  apresentação de tão nervosa. Mas foi firme.”

De lá pra cá, foram mais de 12 festivais. Um show solo, onde Fabrício Rocha a conheceu e falou que deveria explorar seu lado mais contemporâneo. E vários trabalhos. Antes da gravação terminar, ela ainda vai ensaiar com a banda Mahara, projeto em que ela divide com a guitarrista do Álibi de Orfeu, Elaine. Uma banda de reggae e projetos musicais com colegas da Licenciatura em Música que cursa na Universidade Federal do Pará. Além do charmoso, ela ainda dá aula de canto, e escuta rock and roll. “Adoro o Metallica.”

Música na Cabeça - Enquanto, a gravação prossegue, Naemi me acompanha até a loja matriz da Yamada, na rua de trás, onde vamos comprar lanches para os músicos. Ela conta que esta pensando em usar o nome de batismo, Naemi, e assumir sua persona indígena. No caminho, aproveito para saber como surgem as canções. “A música me vem a toda hora. Às vezes eu estou no ônibus e me vem uma música. Eu costumo pensar num personagem para compor. Porque é muita entrega, a gente se expõe muito se for falar da gente. Então, eu penso na música como um instrumento com que as pessoas possam se identificar.”

Nanna sente-se um pouco insegura com os vários trabalhos que desenvolve. Ela quer trabalhar em cima do seu próprio nome mas ainda não sabe. Já tem cerca de 20 músicas que compôs só melodia e letra, alguma coisa no teclado. Entregou um bom material para Renato Rosas e pretende fazer um show solo novamente em outbro com 70% do seu material autoral.

De volta ao estúdio, os sopristas estão gravando “Tengolotengo”. A música tem uma batida afro, sobre uma base que é quase um reggae. Os metais devem ser fortes em poucas notas. Proefx trabalha em cima disso. Tem um quê de soul music, de música afro e as influências amazônicas. É a única em que ouvi os improvisos dele com voz. Enquanto ela fala de um tema meio dadaísta, as letras dele falam de resistência revolucionária, de Zapata e Sandino. Parece destoar, mas o resultado musical é bem diferente.

Proefx acompanha com o olhar os waveforms na tela

O saxofonista chegou e está gravando. Arielson, um saxofonista com Síndrome de Down que é agregado do Casarão aparece. O saxofonista oficial que completa o trio está com dificuldade para gravar as suas partes. Arielson adverte: “É dó, dó. Não é ré, dó”. O saxofonista insiste no “ré, dó”.   “Aqui está escrito ré, dó”. A opinião de Arielson acaba prevalecendo.

O dia vai acabando e Chermont já está um pouco impaciente. Daqui a pouco ele tem ensaio com Lu Guedes e companhia. Mas a turma ainda não acertou a mão. É preciso fechar pelo menos duas músicas pro dia ser produtivo. Nanna também tem ensaio com o Mahara. Nessa hora aparece a figura salvadora de Juca Culatra. Chermont pede para ele gravar as sessões finais e ele vai logo arrumar seu equipamento para o ensaio. Despeço-me de Proefx, que fica finalizando as gravações de metais, e saio com Nanna e Leo, para quem dou uma carona. 

16 de janeiro, 2012 - 08h23
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Comentários (10):

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Anonimo

Caralho Nana Reis, você é muito gata.


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